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Analytics está ok, o problema é o tracking

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Eu só escrevo o que acho interessante. Não estou rodando um experimento de growth hacking. Num blog pessoal, você precisa de dados não para escalar, mas para validar conteúdo. Você precisa saber: aquele post opinativo sobre previdência acertou? Aquela brincadeira de produto levou algum clique?

Conteúdo bom precisa de dados mínimos e limpos para ser validado.

É por isso que todo o sistema de consentimento de cookies é frustrante. O problema não são os dados em si. É a arquitetura usada para coletá-los.

Necessário versus “pode ser”

Quando você mede visualizações, tem uma escolha:

Analytics é curiosidade: contar visualizações anônimas para saber qual post funcionou. Isso é essencial para um site bem cuidado.

Tracking é vigilância: amarrar essa visualização a uma pessoa para montar um perfil com finalidades externas, como rodar AdTech. Isso exige coletar identificadores pessoais e seguir o usuário pela web.

Essa segunda opção não é necessariamente uma invasão de privacidade, mas pode ser. E o “pode ser” é o problema. A gente só deveria rastrear o que é estritamente necessário. Minha curiosidade pessoal termina em saber o que as pessoas estão lendo, e nada além disso.

A stack mínima

Para separar minha curiosidade dessa arquitetura de vigilância, montei uma stack sem esforço e sem custo. Subi o Umami num servidor gratuito da Vercel com um banco Neon Postgres. Levei menos de meia hora.

O resultado? O analytics básico deste site funciona sem banner. O Umami só coleta dados anonimizados e agregados. Tivemos mais de 16.000 visitantes no último mês. Sim, isso é “porra nenhuma”, mas são 16.000 sessões éticas em que ninguém precisou consentir com vigilância.

O que o minimalismo me diz sobre o conteúdo

Os dados são claros e acionáveis, e mostram o valor de uma curiosidade simples:

O conteúdo vive para sempre: eu não posto mais no Hacker News, mas meu analytics mostra que links de posts antigos lá ainda trazem tráfego anos depois. Isso é um retorno enorme para um site pessoal.

A IA é descoberta hiperespecífica: notei um aumento grande de cliques vindos de serviços como ChatGPT e Perplexity, mas só nos meus artigos técnicos de nicho sobre CRDTs e economia da IA. A IA está funcionando como um mecanismo de indicação técnica bem específico.

A brincadeira dava para rastrear: o motivo inteiro de eu ter montado isso foi ver se alguém clicava no shakespeak. O analytics me disse que teve só uns poucos cliques, a maioria vindo do X e do LinkedIn. É um app idiota, que come 700MB dos seus dados, mas eu sei quem está clicando.

O motivo real dos biscoitos 🍪

(Obviamente, estou falando de cookies.)

Então por que eu tenho um banner de “biscoitos”? Não é por causa do analytics.

É inteiramente por causa da piada. A página /shakespeak tem um LLM para baixar que roda no seu navegador. No momento em que você põe qualquer elemento fora do padrão e controlado pelo usuário, mesmo de brincadeira, você aciona o alarme de compliance.

O fato de eu poder rodar o analytics de leitura do site inteiro de graça e ficar de boa, enquanto um LLM de brincadeira exige um banner, resume perfeitamente o estado ridículo da web. A opção ética e gratuita agora é o caminho mais fácil. Você escolhe a necessidade em vez do “pode ser”.