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Invista nas integrações, não nas plataformas

Tenho pensado no tipo de empresas de software que gostava de apoiar, e isso começa pelas ferramentas que uso todos os dias. A minha stack não assenta numa mega-suite da Microsoft ou da Google. Está colada com fita-cola a partir de um conjunto de aplicações focadas e bem feitas, cada uma boa numa só coisa. Não fingem fazer tudo, e é exatamente por isso que são boas.

Isto é o que uso a nível profissional:

  • Linear para gestão de produto
  • Notion para documentação colaborativa
  • Gmail para email
  • HubSpot para CRM
  • PagerDuty para on-call
  • …e mais um punhado de ferramentas, todas bem delimitadas e muito funcionais

Podia fazer quase tudo isto com o Microsoft 365? Provavelmente. Ia gostar? Não. A experiência de utilização seria má de ponta a ponta. As ferramentas deles parecem ambiciosas demais e desajeitadas. Parecem um trabalho feito à pressa: tentam fazer demasiado e acabam por não fazer nada bem. É esse o meu problema com estas mega-suites que querem ser donas de todo o meu fluxo de trabalho: raramente acertam nos detalhes.

Os fundos de capital de risco adoram perseguir o próximo unicórnio de plataforma. O próximo Salesforce, o próximo Oracle. Mas acho que lhes escapa uma coisa fundamental: a maioria das empresas não precisa de mais um monólito, e a maioria nem sequer usa os monólitos que já tem. Precisa de ferramentas que se integrem sem atritos, façam uma coisa muito bem e, sem alarido, melhorem tudo o resto.

Já temos alicerces sólidos. Líderes que praticamente não se mexeram:

  • macOS e Windows, iOS e Android
  • Google Workspace e Microsoft 365

É raro encontrar uma organização que não use estas ferramentas no centro das suas operações. Não vão a lado nenhum. Substituí-las por completo é quase impossível, e, francamente, não faz sentido.

A jogada mais inteligente é construir por cima destas plataformas, integrar, estendê-las, torná-las melhores. É aí que está a oportunidade a sério.

Uma tonelada de software empresarial é feita para agradar às equipas de compras, não aos utilizadores finais. Ganha o concurso quem marca mais caixas, mas o que se compra nem sempre é o software que se usa. Quando estive no Coles Group, havia um workspace de Slack secreto onde os engenheiros se juntavam, porque as primeiras versões do Microsoft Teams eram muito difíceis de usar e de integrar.

Quando um produto tenta ser tudo para toda a gente, incha. Fica lento e deixa de encantar o utilizador final. E as pessoas vão arranjar maneira de o contornar, ou de sair da empresa.

As boas ferramentas fazem uma coisa bem e, quando interoperam sem atritos, tornam-se a escolha óbvia. Não precisas de dominar a stack inteira para teres sucesso.

Até os produtos que mencionei atrás caem nesta armadilha. Sempre achei a funcionalidade de documentos do Linear um pouco irritante, porque na nossa organização colaboramos no Notion, e a falta de uma integração limpa com o próprio Notion atrapalha. O Notion, entretanto, quer tornar-se uma plataforma completa, com acesso aos meus emails, ao calendário e a muito mais. Os utilizadores sentem essa tensão, e ela diminui os dois produtos.

Alguns fundos percebem isto. Uns quantos apoiam, sem alarido, empresas que complementam o ecossistema em vez de tentarem substituí-lo:

  • A Sequoia Capital apoiou a Figma e o Notion e tem um historial de investimento em empresas que dão prioridade à integração e à experiência de utilização em vez de uma funcionalidade ampla
  • A Accel apoiou o Slack e a Dropbox, ambos soluções de topo para um problema muito específico
  • A Notion Capital, a não confundir com o produto, é um fundo de capital de risco que investe em empresas que constroem integrações e ferramentas que melhoram as plataformas existentes em vez de tentarem substituí-las

Mas não há assim tantos. Os fundos parecem perseguir plataformas porque o modelo tradicional exige saídas de mil milhões de dólares. Como diz Jason Lemkin, um fundo de 200M pode precisar de saídas de 5B+ para atingir os retornos-alvo. Essa pressão alimenta um ciclo de empresas que levantam demasiado dinheiro, prometem demasiado e acabam vendidas ao comprador mais próximo. A equipa fundadora que construiu o produto realiza o seu ganho, a inovação estagna e os utilizadores ficam com um produto que já não os serve.

Não precisamos de mais disto. Precisamos de mais IPO. Mais empresas duradouras e independentes. Mais ferramentas que resolvem problemas reais e crescem de forma sustentável sem terem de se tornar uma plataforma.

Eu costumava gozar com o facto de a Dropbox ainda existir. Achava que era uma relíquia do passado, um produto ultrapassado pelo Google Drive e pelo OneDrive. Estava errado. A Dropbox conquistou o seu nicho como solução de armazenamento de ficheiros fiável e fácil de usar, que se integra na perfeição com outras ferramentas. Não tenta ser tudo para toda a gente, e é por isso que ainda cá está. É uma empresa cotada em bolsa, com uma capitalização de mercado de US$8,5 mil milhões. Há um lugar para ela no mundo e funciona porque se integra.

Há claramente espaço para a tecnologia pequena: produtos profundos e focados, que funcionam lindamente com os outros. É isso que eu uso. É isso que eu apoiaria.